A Nudez da Alma.

Contemplei minhas culpas internas
Cultivadas com a mais bela ironia:
Me tornei quem tanto julguei.

E agora o orgulho do corpo nu
Proporcional a vergonha da alma despida
Se diluiu, se desfez
Pois mesmo coberta me sinto exposta

Todo aquele mau estar
Com o mundo, com tudo
Enjoo de mim mesma
Era na verdade a intoxicação sentimental
Que gerou o vomito
Das minhas próprias entranhas almáticas
Minha natureza decomposta e crua
Minha frágil loucura
Meu vão desespero
Por incoerencias não digeridas
Panicos existenciais diluidos
Liquidos fecais depressivos
O esgoto interno exposto
A vil fragilidade humana
No seu estado mais repulsivo
Histerico e irracional.

E agora... a fraqueza, a vergonha,
O vazio existencial
A nudez da alma
Despida de toda a presunção
De quem se descobriu não ser tão pura
De quem se descobriu inimiga de si mesma
Quando tanto odiou e julgou o outro,
Que era igual a mim.

E tudo o que nos resta é aceitar
Somos todos loucos, podres, frágeis e impuros.
Não adianta engolir a ilusão de ser mais são
Mais sincero, mais puro
O veneno do ego te cega pras impurezas
Sua sinceridade mente e te engana
Mas sua alma um dia acaba vomitando tudo aquilo que você julga não ser.
E você aguenta ser julgado por você?

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